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A Trajetória de Roberto Anselmo Kautsky

Filho de pai austríaco, Roberto Carlos Kautsky e mãe alemã, Elisabeth Schwambach, Roberto Anselmo Kautsky, nasceu em 23 de maio de 1924 na localidade de Santa Isabel, cerca de um ano após o casamento de seus pais.

A paixão pelas flores começou aos nove anos de idade, acompanhando seu pai na retirada de madeira para a construção do primeiro galpão para a indústria, onde viu as flores de orquídeas que lhes despertaram o amor pela espécie, nos galhos das árvores derrubadas. A partir daí, Roberto Carlos Kautsky, o pai, tomou gosto pelas orquídeas, despertando também no filho interesse por essas belas plantas.

Roberto se formou técnico agrícola pela escola técnica de São João de Petrópolis, no município de Santa Tereza, Espírito Santo. Realizando em 1944, estágio técnico para aperfeiçoamento na Escola Superior de Agronomia de Viçosa, em Minas Gerais.

Casou-se com Mercedes Majevsky Kautsky aos 32 anos e desta união nasceram Roberto Anselmo Kautsky Júnior e Antônio Carlos Kautsky, os quais se casaram, respectivamente, com Valéria Simon Kautsky e Maria Goreti Mayer Kautsky, e lhe deram cinco netos: André, Roberto, Raul, Elisa e Milena.

Herdou do pai a Fábrica de Refrigerantes Coroa, que administrou com brilhantismo. Quando seus filhos assumiram a empresa, Roberto pôde se dedicar totalmente á natureza.

Em 1963, Roberto iniciava o trabalho de taxonomia vegetal junto ao Dr. Fritz Dungs e Guido Pabst, colaborou com os botânicos por 17 anos, acrescentando ao estado, que tinha registrado cerca de 110 espécies de orquídeas, a mais de 750 espécies descobertas.

Em 13 de junho de 1966, aos 57 anos, falece Roberto Carlos Kautsky, pai de Roberto Anselmo Kautsky e um dos pioneiros na orquidofilia capixaba.

Foi seu pai, quem forneceu o lote de plantas da 2° Exposição Nacional de orquídeas no Rio de Janeiro em 1943, onde o Espírito Santo foi premiado com uma Laelia purpurata em bronze.

Roberto Anselmo Kautsky obteve sua primeira premiação em 1957, participando da 1° Exposição de Orquídeas do Espírito Santo, onde alcançou o prêmio máximo.

Em 29 de setembro de 1969, o Dr. Guido Pabst escreveu um artigo sobre o Pleurothallis platystachya, na revista “Orchidea”. Foi a primeira vez que Roberto Anselmo Kautsky teve seu nome citado junto a uma orquídea.

A partir daí, foram centenas de publicações, entrevistas e reportagens sobre o “Encantador de Flores”, que viu em 1967, novamente na revista “Orchidea”, na página 63, a primeira orquídea publicada em seu nome, Anacheilum kautskyi, enviada para estudos em 24 de fevereiro de 1964.

Sua primeira bromélia, Neoregelia kautskyi, foi publicada na revista “Bradea”, voluma 1, n° 2, página 82, em 30 de setembro de 1971.

Não só as plantas foram dedicadas o trabalho de Roberto Kautsky, este pesquisador autodidata, descobriu ainda duas espécies de anfíbios, Ololygon kautskyi e Phyllodytes kautskyi, o segundo, morador de uma de suas bromélias em seu próprio quintal.

A destruição das florestas no Brasil para uso da agricultura levou Roberto Anselmo Kautsky a preservar uma área de 300.000 m2 de florestas virgens em sua cidade de origem que é Domingos Martins, no Espírito Santo. Kautsky transformou seu sítio numa reserva natural onde protege as plantas e os bichos da Mata Atlântica. Para esta reserva levou mais de cem mil plantas que coletou nos desmatamentos indiscriminados.

Orquidófilo e bromeliófilo autodidata no estudo de plantas e bichos da Mata Atlântica, foi agraciado com os títulos de Doutor Honoris Causa, pela Universidade do Rio de Janeiro, de Honorary Trustee do Journal of Bromeliad Society (EUA) e do The Cryptanthus Society Journal e, ainda, com mais uma centena de títulos honoríficos.

Um homem simples, alegre, determinado, curioso, era amante e preservacionista da natureza e da vida, é citado com respeito entre os cientistas devido às pesquisas e descobertas que contribuíram e continuam contribuindo para a ciência.  Tem o seu nome ligado a mais de cem espécies e, graças ao envio permanente de plantas ou animais para serem estudados, contribuiu para que o número de orquídeas brasileiras passasse de 110 para mais de 700. Já as bromélias registravam, em 1974, 60 espécies classificadas para o Espírito Santo, hoje, são mais de 340. Além dessas, Roberto Kautsky tem seu nome relacionado a outras descobertas da flora e fauna brasileira.

Suas pesquisas foram publicadas na Alemanha, Japão, Estados Unidos, Inglaterra, Suíça e França, estando, desta maneira, eternizado pelo trabalho prestado, principalmente, à natureza. Além de várias descobertas registradas, várias outras estão à espera de registro e publicação, como, por exemplo, um peixe do gênero Trichomycterus, um novo tipo de sapo, uma aranha, um macaco de cara escura e várias orquídeas e bromélias.

Roberto acreditava que viver com qualidade era estar em harmonia com a natureza, consigo mesmo e com os outros.

Roberto Kautsky morreu aos 86 anos de idade, na noite do dia 25 de maio de 2010, o “Senhor das orquídeas” agora dorme, vivo na memória de todos, em completa harmonia com a natureza.

Poeta e Senhor das orquídeas, escreveu um pouco da sua história:

“ … Eu, não sei se foi sorte ou Deus que foi muito generoso comigo, orientando-me no meu trabalho de pesquisas, mas o fato é que, descobri coisas inéditas, que deixaram o mundo científico, perplexo e, através das quais ficamos eternizados e gratificados.”

“ …Os homens passam, mas as suas obras edificantes ficam para a posteridade e o tempo que é o melhor juiz, se incubirá  de preserva-lhes o valor merecido.”

“A natureza é fundamental para a vida. Tudo o que fizermos contra ela recai sobre nós, o contato com ela traz bom humor, olhar uma flor traz serenidade ao homem que está tão violento”.

Roberto Anselmo Kautsky